Por que tantos por quês?

Quantas vezes nos pegamos pensando em como nossa via poderia ter sido diferente se... tivéssemos feito algumas coisas de outra maneira... ou se não tivéssemos conhecido tal pessoa... ou se tivéssemos falado naquela hora...etc, etc, etc. Sempre aquele cruel ... se... Recentemente, fiz essas mesmas perguntas ao vento. Algumas vezes olhando os meus olhos no espelho, outras de costas, ou imaginar as pessoas que causaram tanta dor, estarem a minha frente. Essa técnica é magnífica, me deixou muito, mas muito feliz. Primeiro porque a alma se lavou por completo, e a segunda pelos muitos reais que economizei de analista. A questão não é questionar o porquê, mas saber quais por quês fazer. Não há lógica nenhuma em ficar armazenando tanta loucura alheia. Um dia explodimos e pode ser sem volta. Podemos prejudicar nossos sonhos, sem atingir em nada aquelas pessoas obtusas e irresponsáveis.

A profusão de por quês também ajuda para que percebamos o quando nossa força interior pode ser maior que qualquer infeliz vivente invejoso. Pensar é hoje – quase – um privilégio. A grande maioria apenas vegeta pelo tempo de vida que tem. E, quase sempre, nem percebe o quanto deixou de vivenciar ou conquistar na vida.

Há quatro grupos de pessoas: as que realmente pensam; as que acham que pensam; as que têm certeza que pensam; e as que não têm a menor idéia do que seja isso, mas são felizes.
Um dia um trabalhador, humildade, mas muito sábio me disse que a ignorância era uma virtude nos dias de hoje. A felicidade está onde se vê que ela está, e não onde se acha que está. Com total razão, este trabalhador, me fez refletir e perceber o quão profundo era aquela afirmação. Se minha visão do mundo me faz feliz, eu sou feliz. Se tiver o conhecimento de que minha situação é mais grave, ou se recebo a informação de como o mundo anda, isso pode afetar drasticamente meu estado de felicidade, pois vou saber que minha vida não é lá tão importante como presumia ser.

Se sentir desimportante no mundo é o veneno da felicidade. Saber que há pessoas em estado tão miserável, com fome, com sede, desprovidas de qualquer dignidade e de qualquer direito de viver, já seria uma apunhalada cruel.

Mas pior do que isto são as pessoas que mesmo tendo informação, tendo condições de discernimento, tendo comida, água, vivendo num circulo social abastado, e mesmo assim, são preconceituosas e egoístas.

Ainda mais cruel que o bandido que rouba e que o assassino que mata, são estas pessoas... normais... que estão do seu lado, que são seus colegas de trabalho, que convivem com você todos os dias, mas que perpetuam as segregações, os preconceitos e são elas que puxam seu tapete. E, ainda assim, continuam se considerar pessoas boas totalmente. Deslealdade, desrespeito e preconceito, são as molas que fazem as diferenças sociais se consolidarem ainda mais.
Nada, porém, é de todo perdido. Ainda assim podemos usar da técnica dos por quês, que aliviam o coração e limpam a alma.

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