VENTO SEM TEMPO | Parte 3

Olhei pela janela, do alto do prédio, alcancei longe...
Nuvens andavam... quase correndo, meio brancas, meio cinzas.
Alguns fachos de luz aqui, ali, sem querer ficar.

Agora o vento passa. Do alto desse horizonte que dá medo...
As pessoas bem pequenas eu vejo, parecendo pontos distantes.

O tempo vem, como vento teimoso.
O vento avança, como tempo passado.

O olhar fixo na janela... hipnotiza meu tempo...
O som do vento... consume a voz.

O olho lagrimeja, arde
A voz engasga, cala

Um vento sussurra
Um tempo contorna

Vejo mil vidas, mil histórias,
personagens que tomam meu tempo
como vento teimoso... grudento

Vejo tantas possibilidades de ser diferente,
mas sempre tudo parece tão igual, tão imparcial, tão inerte.

O tempo passa, corre
O vento chega, para

Num segundo consigo piscar...
lágrimas descem na face,
sem dor, mas com dó

Queria tantas vidas, queria ser tantas coisas.

Por certo fui.
De certo serei.

E o sempre, vem, vai, virá...
com o vento do tempo que faço, desfaço, refaço.

Eu faço, farei,
O tempo é vento que faz... eu apenas descalço.

Comentários

Postagens mais visitadas