Voar além de mim
Voar, voar é o destino d’alma. Acredita
a moça – mulher feita de amores e dessabores – que fixa a visão a procura de um
sentido...
Sentir os pés fora do chão como
se a terra fosse um imã fazendo força contrária, não fazia mais qualquer sentido.
O corpo que passa como uma pena pela água que jorra da cascata, pode ser
molhado, mas não tocado.
E os olhos que ficam fixos nas
folhas que caem do limoeiro, que dançam com o vento que as arrasta fazendo uma
trilha fina no chão, quer ver o que não está lá. Quer enxergar o que - talvez –
nunca vá estar lá. Mas um sentimento forte e sem qualquer motivo tomou-a por
arrebate.
A moça suspira. Calma, serena.
Suspira mais profundamente, como uma limpeza dos sentidos.
Dá um passo. Respira agora e
sente o cheiro do ar. Mistura intrigante de ervas, mato, terra e jasmim.
Mas a vontade que mais a inquieta
é quer voar. Voar mesmo. Voar com asas. Voar e ver do alto o mundo que de baixo
não tem feito muito sentido.
A natureza tem seus ciclos. Vida,
morte, renovação. Mas o ser humano perdeu a sua linha do tempo e propósito de
existência - pensou a moça - suspirando mais lentamente, soltando o ar pela
boca suave e devagar.
Parada em frente à cascata alta,
envolvida por um penhasco como se estivesse num grande pote de barro, mato, árvores,
com o sol descendo e iluminando todo a santuário intocável.
A moça senta a uma grande pedra a
margem do pequeno lago ao pé da cascata... e pensa... “isto realmente faz
sentido”.
“Voltar ao ciclo inicial de
evolução da terra, poderia ser um solução para o grande equivoco que hoje somo
no mundo”, falou mansamente, quase sussurrando.
Respirou no mesmo ritmo do cair da
água da cascata. A moça, então, levanta. Feliz por ter encontrado o significado
de PAZ. Feliz, por saber que – ao final – tudo sempre tem uma solução, mesmo
que distante, mas tem.
Voar continua a ser um sonho. Respirar,
porém, ficou mais doce. Indo embora, a moça, vira e olha mais um pouco aquele
cenário de múltiplos verdes, azuis, amarelos e tons sobre tons. De cheiros
contagiantes. Abaixou, pegou um punhado de terra com folhas do chão, e respirou
profundamente num ritual de fé na vida.
Ainda de olhos fechados, sentiu o
corpo leve e flutuando. As asas de sua alma se abriram e – finalmente – a moça
voou.
Voou acima do penhasco e rumou ao
infinito para além do sol. Afinal, descobriu que pensar não possui limites nem
tempo. Apenas voa.




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